as cidades do futuro

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Ex-prefeito de Ouro Preto diz que Paraty não deve marginalizar aquilo que é novo

“A efervescência cultural não pode ser vista como algo que perturbe a placidez do dia a dia”, proferiu Angelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e ex-prefeito de Ouro Preto, no primeiro debate desta sexta-feira (5) da mostra Histórias e ofícios do território, do Museu do Território de Paraty. “Temos que buscar a herança do passado, e que ele nos deixe algo. Passado não é o que passou, é aquilo que fica do que passou. É a permanência. E isso Paraty tem – ela pode ter todas as dimensões, mas continuará tendo suas tradições, um patrimônio luso-afro-ameríndio-paratiense.”

Oswaldo levou a plateia a um passeio histórico sobre o ciclo do ouro no Brasil até chegar a Paraty, primeiro porto do país, e falou sobre as afinidades entre Paraty e Ouro Preto, nascidas sob o primado do ouro. Segundo ele, numa aparente contradição, foi a estagnação de ambas no período após o esgotamento do ouro que permitiu que tivessem a riqueza material e imaterial de hoje. “Se tivessem passado por transformações econômicas, não teriam mantido suas características originais. Elas se conservaram pois ficaram um longo tempo na inércia”, disse, marcando o começo do progresso socioeconômico em datas recentes – em Ouro Preto, com a primeira fábrica de alumínio (anos 1940) e, em Paraty, com a construção da rodovia Rio-Santos (anos 1970).

Tal expansão, contudo, trouxe consigo novas questões. “Como compatibilizar o desenvolvimento urbano, socioeconômico e, por consequência, turístico? Quanto mais cresce a cidade e sua cultura, mais cresce o turismo. O que resta das raízes? Essa é uma forte questão nas cidades históricas”, disse, exemplificando as dificuldades de nativos de Paraty e Tiradentes em lidar com grandes eventos culturais nas cidades. “Há o questionamento de grupos que têm dificuldade em assimilar as mudanças, que se sentem invadidos e partem para o rancor. Há desconfortos, incômodos, discriminação e preconceitos dissimulados, tanto entre os nativos e os que vêm de fora. Como enfrentar esse novo tempo?”

A resposta, de acordo com ele, está na criação de valores de agregação e interação em detrimento de exclusão e marginalização: “O presente não é um problema, é uma realidade. Temos que buscar soluções fomentando a cultura, o debate, a consciência e a crítica. Temos que ser conservacionistas, não conservadores reacionários. Esse é o caminho que temos que seguir em Paraty, Ouro Preto e todas as cidades históricas do nosso país para criar as cidades do futuro – as cidades que queremos”.

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