caminhos de mário: a dimensão antropológica na cultura

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Mesa da FlipMais abordou o olhar antropológico na cultura e o papel de Mário de Andrade na definição de políticas públicas para a cultura

por Alexandre Pimentel

O olhar antropológico de Mário de Andrade é definidor de suas ações, não apenas no campo literário. Tomando como base esta afirmação, Alexandre Pimentel, Manoel Vieira e Maria Pereira abordaram a contribuição de Mário na definição de políticas públicas para a cultura no país e apresentaram projetos e experiências concretas em que a dimensão antropológica de cultura é a principal a matriz de referência.

Manoel Vieira, arquiteto e diretor do Inepac (órgão responsável pela preservação do patrimônio no Estado do Rio de Janeiro) abordou os trinta anos do tombamento do litoral fluminense, e reforçou o papel central de Mário de Andrade no anteprojeto de criação do Serviço do Patrimônio Artístico Nacional (origem do atual IPHAN), que já previa a proteção da dimensão intangível do patrimônio cultural brasileiro e de Darcy Ribeiro (Secretário de Cultura do RJ à época do tombamento), na proteção às comunidades tradicionais do litoral do estado.

Maria Pereira, cientista social e responsável pelo elogiado projeto Turista Aprendiz, abordou seu trabalho e os relatos de viagens etnográficas de Mário de Andrade entre 1927 e 1929, matéria-prima para o livro póstumo “O turista aprendiz”, no qual o intelectual e o artista se encontram.

Alexandre Pimentel, geógrafo e coordenador de pesquisa do Museu do Território de Paraty, abordou a contribuição de Mário de Andrade ao campo da cultura como intelectual e como diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. Essa experiência de gestão (responsável, entre inúmeras outras ações, pela construção de bibliotecas, parques infantis, a rádio escola, o primeiro curso de biblioteconomia do país e a criação da Sociedade e do Curso de Etnografia), ao mesmo tempo revolucionária e frustrante, deixou marcas profundas não só em Mário e na cidade, mas em todo o país. Alexandre abordou ainda a experiência do projeto Museu do Território de Paraty, e sua linha de pesquisa sobre Memória Oral, que tem possibilitado o alargamento das narrativas sobre a cidade, suas representações simbólicas e sua história.

Ao final da conversa a mediadora Vera Schroeder, Superintendente da Leitura e do Conhecimento do Estado, propôs uma pergunta aos três participantes sobre o conceito de “Defeso Cultural”, criado pelo músico Luis Perequê. Todos reforçaram a sua importância e relevância, embora entendam a complexidade de implementação concreta, pois o entendem mais como uma reflexão necessária do que como um conjunto de ações propostas.

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