sobre a jornada de debates

Para abrir a exposição Histórias e Ofícios do Território, foram programados seis encontros, de 4 a 6 de dezembro de 2014, no auditório da Casa da Cultura de Paraty, entre representantes de saberes formalmente constituídos – antropologia, sociologia, pintura, patrimônio material e biologia marinha – e paratienses que também são, a seu modo, especialistas no patrimônio imaterial da cidade.

Até onde vai a singularidade da cultura de Paraty? Em que contexto ela se inscreve? O que diferencia cultura caipira e a cultura caiçara? O que se transformou e o que permaneceu nas últimas décadas? O que deve ser preservado? O território é construído sobre quais ecossistemas?

O que interessa aqui não são respostas exatas, mas os diferentes modos de formular e responder a essas perguntas, a articulação entre as possíveis leituras e discursos sobre o território.

Veja no nosso canal do YouTube os encontros na integra

Programação

Quinta-feira, 4 de dezembro
Sessão 1 – 18h30
Abertura
André Bazzanella, técnico do Iphan na Costa Verde do RJ
Mauro Munhoz, arquiteto, diretor-presidente da Associação Casa Azul

Saiba como foi a mesa: Entre saudosismos e permanências

Sexta-feira, 5 de dezembro
Sessão 2 – 16h
Do patrimônio material ao patrimônio imaterial
Angelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), ex-prefeito de Ouro Preto

Saiba como foi a mesa: As cidades do futuro

Sessão 3 – 18h
Ecossistemas do território
Paraty vem do tupi “mar que não é mar” – etimologia feliz para designar um território híbrido, que não se resume à terra firme nem ao oceano. Muitos dos lugarejos espalhados pela baía de Paraty levam o nome de peixes e espécies que já foram abundantes na região, mas hoje se tornam cada vez mais raros em decorrência da ação nociva do homem, que está na origem das recentes mudanças climáticas e da acidificação das águas. Conhecedor de toda a costa brasileira, o professor Rodrigo Leão de Moura, do Instituto de Biologia da UFRJ, com didatismo e exemplos extraídos da vida cotidiana, debate com o pescador e artesão Almir Tã as alterações na vida de espécies, ecossistemas e dos seres humanos que fazem do mar um modo de vida. Mediação de Alexandre Pimentel

Rodrigo Leão de Moura é professor no Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou pesquisas sobre biodiversidade em diferentes níveis, dos genes a populações e espécies inteiras. É especializado no estudo do impacto ambiental sobre recifes de coral.
Almir Tã é pescador, artesão e líder comunitário da Ilha do Araújo, onde nasceu, cresceu e criou uma biblioteca, hoje com um acervo de mais de três mil volumes. Descendente dos índios Guayanã, é autor de Cultura caiçara.

Saiba como foi a mesa: Oceano reestruturado

Sessão 4 – 20h
O território caiçara
A cultura brasileira tem na cozinha caipira e na cozinha caiçara duas de suas expressões maiores. Geograficamente situada nessa zona de fronteira e sob a pressão de duas fortes identidades culturais – Rio e São Paulo –, em qual contexto podemos entender a cultura culinária de Paraty? O sociólogo e crítico cultural Carlos Alberto Dória vai retraçar, em conversa com o agricultor Zé Ferreira a cartografia culinária de um território cultural vasto e muitas vezes reduzido a estereótipos e mistificações. Mediação de Paulo Werneck

Carlos Alberto Dória é sociólogo. Autor de Formação da culinária brasileira – Ensaios sobre a cozinha inzoneira (Três Estrelas), é membro do C5 – Centro de Cultura Culinária Câmara Cascudo.
Zé Ferreira, agricultor paratiense, é especialista em práticas agroecológicas.

Saiba como foi a mesa: Em busca da comida de raiz

Sábado, 6 de dezembro
Sessão 5 – 15h
Artes e formas do território
A arte popular é hoje um dos pontos de maior interesse no debate estético e tem ganhado destaque em mostras, livros e trabalhos críticos. Em Paraty, as artes plásticas, em especial a arte popular e o artesanato, integram a vida da cidade, permanente refúgio de artistas, nativos ou não. Este debate reúne um grande nome da pintura brasileira e um símbolo da cultura paratiense. Paulo Pasta, pintor e professor, vai conversar sobre cor, formas, temas e pintura com Júlio Paraty, pintor que incorporou a cidade em seu nome. As relações entre arte popular e erudita, a cidade, as diferentes paisagens e a pintura como um relógio que marca o tempo do território estão entre os temas desta conversa. Mediação de Paulo Werneck

Paulo Pasta é pintor e professor de pintura. Publicou os livros Paulo Pasta (Cosac Naify), síntese de sua produção, e o livro de escritos sobre arte A educação pela pintura (WMF Martins Fontes).
Júlio Paraty, pintor autodidata, incorporou a cidade a seu nome e à sua obra. Perdeu a conta de quantas vezes já pincelou com guache sobre tela os contornos e as cores festas tradicionais de Paraty, como a do Divino Espírito Santo e a de São Pedro e São Paulo.

Saiba como foi a mesa: O verdadeiro valor artístico

Sessão 6 – 16h30
Sabores do território
O paladar está entre as mais poderosas forças da memória e da sociabilidade: a comida tem o poder paradoxal de fazer certas recordações se tornarem imperecíveis. Cadernos de receitas, as festas de rua e suas comidas são testemunhos de outros tempos e de modos de vida, periodicamente redescobertos no calendário de Paraty. A antropóloga especializada em estudos da alimentação Paula Pinto e Silva conversa com a professora paratiense Maria Rameck sobre receitas, dias de festa, memórias e os significados dos festejos populares de ontem e de hoje. Mediação de Alexandre Pimentel.

Paula Pinto e Silva, antropóloga, é autora de Farinha, feijão e carne-seca – Um tripé culinário no Brasil Colonial (Senac).
Maria Rameck, professora, é especialista na culinária paratiense.

Saiba como foi a mesa: Sabores do territorio

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