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Registramos o Bingo do Divino, importante momento de encontro e sociabilidade, realizado em praça pública para arrecadar recursos para a festa

Paraty é a cidade das festas. E uma das mais importantes e aguardadas pelos moradores é a Festa do Divino Espírito Santo. Forma de expressão de caráter tanto religioso como profano, a festa é também um espaço de encontro e sociabilidade. Acontece na igreja, na casa das pessoas e em praça pública. Desde 2013, a Casa Azul faz um trabalho de registro dessa importante celebração, que faz parte do calendário cultural da cidade.

Trazida pelos colonizadores portugueses e realizada há quase 300 anos, a festa tem início no domingo de Páscoa, atravessa a semana e culmina no domingo seguinte, de Pentecostes, com procissões, novenas e missas, além de divertimentos como gincanas, concursos e shows de calouros. A preparação é feita ao longo do ano por festeiros escolhidos na comunidade, com grande participação e empenho dos paratienses.

Este ano, a equipe do Museu do Território de Paraty documentou também uma atividade preparatória da festa: o Bingo do Divino, realizado em 18 de maio para arrecadar recursos para a celebração.

Para isso, encarregou o fotógrafo paulista radicado em Paraty André Azevedo de registrar o evento, realizado na praça da Matriz. O bingo atraiu centenas de pessoas e terminou debaixo de uma forte chuva. As imagens, editadas e catalogadas, farão parte do acervo do Museu do Território de Paraty.

Leia a seguir trechos do relato escrito por Thalita Aguiar, assistente de pesquisa do Museu do Território de Paraty, que acompanhou a festa.

Ao chegar à praça, cerca de duas horas antes de o evento começar, vi umas poucas pessoas concentradas, experimentando as comidas preparadas pelas festeiras com muita dedicação, como em todos os anos. Pouco se falava do bingo então.

As pessoas foram chegando e aos poucos se sentavam nos degraus ao redor da praça. Muitas traziam cadeiras de praia e cangas para sentar e esperar.

Embora muitas pessoas viessem de outros municípios, grande parte dos “devotos jogadores”, como são chamados na cidade, se conhecia, e as brincadeiras em relação ao bingo eram constantes. Ao venderem as cartelas, os festeiros enfatizavam a importância da contribuição para a celebração do Divino.

Realizado em praça pública, o Bingo do Divino transborda as paredes da igreja e da devoção: é esperado pelas pessoas não apenas pelo jogo, mas também pelos encontros que promove.

A brincadeira e a irreverência estão presentes. Bem como as trocas de expectativas: muitas pessoas conversavam entre si sobre o que gostariam de ganhar no bingo. As conversas eram as mais diversas. Uns diziam que queriam mesmo a conta poupança no valor de R$ 10 mil. Para outros, uma moto ou um fogão valiam ainda mais, “porque dinheiro vai embora rapidinho pagando dívidas”.

Na metade do jogo começou a chover, e ficou impossível continuar na praça, totalmente aberta. As pessoas começaram a reclamar, e a organização decidiu transferir o jogo para o domingo seguinte. Na hora do temporal, todos começaram a se mobilizar para fugir da chuva. Muita gente correndo, tentando salvar suas cartelas para a semana seguinte, reclamando ou ainda brincando. Muitos ficaram indignados, pois vieram da zona rural especialmente para o jogo e o ônibus ia demorar…

A quantidade de pessoas presentes revela a importância que as festas ainda têm em Paraty. Todos acabam de alguma maneira se envolvendo, justamente pela diversidade de possibilidades de apreensão que esta manifestação cultural oferece.

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